PRESÉPIO BÍBLICO
Estrada deserta,
Casal caminhante,
Mulher grávida,
Hóspedes rejeitados,
Estrebaria
Vaca de presépio,
Jumento de presépio,
Galo de presépio,
Ovelha de presépio,
Odor de animais,
Manjedoura e palha,
Berço sumário.
Pastores ao relento,
Anjos cantores,
Mensagem de paz,
Estrela cintilante,
Magos e reis,
Textos sagrados,
Eufóricos na busca,
Do lugar sagrado,
Messias esperado,
Ansiedade e medo,
Aviso providencial,
Menino encontrado.
Nasceu Jesus,
Confirmação profética,
Festa nos céus,
Paz na terra,
Deus menino,
Redenção do mundo,
Esperança dos fracos.
O natal chegou,
O mundo se alegra,
Catedrais em festa,
Júbilo nas famílias,
A felicidade de todos.
Confraternização cristã,
Harmonia perfeita,
Casais unidos,
Pais que se amam,
Crianças adoráveis,
Filhos inteligentes,
Amigos sinceros.
O natal é assim,
Vivido com Deus,
Com saúde e paz,
Saúde, paz do corpo,
Paz, saúde da alma.
Antônio Costa
Dezembro 2015
segunda-feira, 21 de dezembro de 2015
terça-feira, 17 de novembro de 2015
DOR A DOIS
Durante as nossas vidas de casados, ocorrem diversas etapas com as quais convivemos. É o que acontece na caminhada de qualquer casal disposto a assumir o casamento de forma a levá-lo até o final da vida. É bom lembrar que são duas pessoas diferentes em tudo; duas individualidades que se aceitam e se respeitam mutuamente. A vida a dois, como é sabido, tem seus percalços como em qualquer relacionamento humano. Esses eventos, quer sejam de ordem afetiva, financeira, de saúde e até mesmo de desencontros ocasionais de opinião, na verdade são o sal necessário ao bom êxito da união conjugal. Na alegria e na tristeza, tudo fica mais fácil se a compreensão, o diálogo e as renúncias mútuas acontecerem como norma de vida. A convivência saudável deve ser a marca registrada de um casal feliz. A criação dos filhos, a administração da casa em todos os aspectos são ingredientes que favorecem um relacionamento maduro e duradouro. O casamento é uma das mais difíceis e importantes decisões da vida de uma pessoa, porque confronta muitas vezes personalidades com características diferentes, não só socialmente, como também culturalmente. Na última fase da vida, aparecem os males próprios da idade que podem causar surpresas que geram dor e sofrimento até o desenlace final. Refiro-me a doenças como o Mal de Parkinson e a demência senil, também conhecida como Mal de Alzheimer. Esta doença, o Mal de Alzheimer, provoca danos irreparáveis no paciente e seu cuidador. Digo isto por experiência própria, pois vivi e compartilhei as dores e sofrimentos da minha mulher Luzia , portadora de Alzheimer, vinte e quatro horas ao lado do seu leito durante cinco anos. Foi um período difícil das nossas vidas, mas honramos o compromisso assumido no altar, quando ouvimos do celebrante do nosso casamento que a responsabilidade que assumíamos naquele momento teria que ser vivida na alegria e na tristeza; na saúde e na doença até que a morte nos separasse. Não é fácil viver um casamento de mais de 54 anos, tendo sido os últimos cinco de sofrimento compartilhado e de renúncias como cuidador. Sabe-se que o Mal de Alzheimer é uma doença degenerativa, progressiva e incurável, agravada quando associada à diabetes, como foi o caso; ou seja, ela, na verdade, leva o paciente a uma situação tal de falta de defesas orgânicas que o seu óbito é causado por episódios de doenças oportunistas, como sepse e pneumonia; e foi o que ocorreu em 25 de outubro de 2015, com a minha mulher, às vésperas de completar 92 anos. Ser cuidador de portador do Mal de Alzheimer é uma experiência que deixa qualquer um numa situação angustiante, extremamente estressante diante do sofrimento intenso do paciente. Esta experiência é desafiadora, principalmente, quando esse cuidador é o próprio cônjuge. Só com muita fé em Deus é que é possível vencer-se essa etapa da vida. Aproveito a ocasião para Registrar o apoio recebido dos nossos familiares e a dedicação valiosa de Maria José Gomes (Zeza), minha Secretária do Lar; essas contribuições foram fundamentais durante o tratamento da doença de minha esposa Luzia. Outra colaboração de suma importância foi a da Sra. Marisa Lopes Falcão, Ministra da Eucaristia da Paróquia de Nossa Senhora Aparecida, no bairro do IPSEP, Recife, Pernambuco, que semanalmente, às sextas-feiras, visitava a nossa residência para trazer a eucaristia para Luzia; um conforto espiritual de relevante importância para as nossas vidas. Foi assim que, minha mulher e eu, compartilhamos uma dor a dois.
sábado, 25 de abril de 2015
MISSA EM LATIM
tonymemoratus.blogspot.com
Até o Concílio Vaticano II, realizado 50 há anos, os rituais da Igreja Católica Apostólica Romana, inclusive a missa, eram realizados com textos na língua latina. Para os fiéis menos esclarecidos, a maioria sem dúvida, o uso do latim constituía-se realmente numa dificuldade para o entendimento e participação no desenrolar das cerimônias religiosas, principalmente da missa; isso aliado ao fato de que no altar o celebrante ficava de costas para a assembleia. Os fiéis mais esclarecidos, entretanto, dispunham do missal bilíngue latim/português acessível aos interessados. Atualmente os sacerdotes não são proibidos de celebrarem em latim; há casos em que algum padre resolve, para satisfação dos saudosistas, celebrar a missa em latim. As celebrações em língua vernácula propiciou aos fiéis a participação efetiva na missa, o que era dificultado no caso da adoção do latim. No meu blog constante logo após o título desta postagem, no link “CALENDARIO”, os internautas encontrarão o texto do evangelho da missa de todos os domingos do ano litúrgico em quatro idiomas: português, latim, espanhol e inglês. A postagem dos textos é feita todos os sábados, às 12:00 h e permanece no blog durante toda a semana, até o sábado seguinte.Trata-se de uma contribuição destinada às pessoas que necessitem desses textos naqueles idiomas.
A REZA DO TERÇO
O espírito religioso das pessoas em geral faz com que cada um, à sua maneira, tenha seus hábitos de devoção. O terço do rosário de Nossa Senhora é uma dessas opções e mais difundida entre os católicos, principalmente entre nós brasileiros. Não é sem razão que o maior santuário do mundo dedicado à mãe de Jesus esteja no Brasil, em Aparecida, no Estado de São Paulo. Nesta primeira década do século em que vivemos a reza do terço tem tido um incremento de grande projeção. Isto é notado principalmente a partir da iniciativa do Terço dos Homens que tem crescido de forma admirável. A partir dessa iniciativa temos hoje, terço das mulheres; terço das crianças e certamente surgirão outras formas de recitação desta reza memorável. Não acho felizes, embora não condene, os formatos que se criam na tentativa de reduzir o tempo da recitação do terço, a exemplo do terço da misericórdia. Corremos o risco de sei lá quando, alguém passe a rezar o terço da seguinte forma: reza-se a primeira Ave Maria e em seguida repete-se, Ave Maria, Santa Maria; Ave Maria, Santa Maria . . . . e lá se vai. Não é uma visão pessimista, mas realista. Basta saber que já se benze a água pela televisão, através de uma gravação de novenas, o que além de ser uma atitude comodista, é de eficácia duvidosa e manipula a boa fé das pessoas. Voltando ao terço, acho muito estranho o fato do terço objeto conter, antes do primeiro mistério, quatro contas equivalentes a um “Pai Nosso” e três “Ave Maria” que correspondem pela ordem, a primeira à “ Filha de Deus Pai”; a segunda à “Mãe do filho de Deus” e a terceira à “Esposa do Espírito Santo”, e que na prática da reza se tenha abandonado tacitamente com a conivência da Igreja a utilização das quatro contas mencionadas. Se assim deve ser que se retire do terço objeto aquelas quatro contas que passaram a ser um penduricalho necessário à beleza do objeto de devoção. Seria ótimo que alguém, com autoridade, explicasse e justificasse a reza do terço com a omissão da parte referente à Santíssima Trindade, representada pelas contas omitidas. Taí um dos males da TV no âmbito religioso; tudo tem que ser cronometrado, mesmo em detrimento de tradições religiosas seculares.
CORRIMBOQUE E CACHIMBO
Em épocas diferentes as pessoas têm sido vítimas de diferentes vícios com características as mais diversas. O álcool e o tabaco sempre se destacaram, talvez porque considerados como drogas lícitas. O álcool produzido em larga escala pela agroindústria sempre esteve presente no vício das pessoas através das diversas bebidas onde ele está presente sob inúmeras formas e sofisticação; leva os viciados a muitos desacertos nas suas vidas, como a perda da autoestima e a destruição das famílias. Quanto ao tabaco, tem o seu rastro destruidor na saúde de seus usuários também sob formas diferentes e conhecidas, como o rapé, o charuto e o cigarro, este último como praga dos nossos dias. Antigamente, e bota antigamente nisso, era comum vê-se pessoas, principalmente homens, portando nos bolsos de suas vestes o corrimboque, depositário do rapé. Trata-se do tabaco reduzido a um fino pó que era aspirado pelas narinas do viciado. Imagine-se o aspecto das vestes e mãos dessas pessoas com a manipulação do produto, e também a aparência dos senhores bigodudos, pois o rapé não aspirado escorria pelos bigodes e roupas dos usuários. O corrimboque era um utensílio geralmente feito de chifre e com os seus formatos trabalhados artisticamente e até certo ponto denunciava status. O charuto, de uso muito restrito atualmente, durante muito tempo foi sinônimo de status. O ritual do seu acendimento requer técnica e até alguns apetrechos. Por fim, aparece o cachimbo, também objeto utilizado pelos amantes do tabaco. Diferentemente do rapé e do charuto, o cachimbo sempre foi muito utilizado pelos usuários do tabaco de todas as classes sociais e com formatos dos mais simples aos mais sofisticados e até artisticamente produzidos com os mais variados materiais. Em muitos casos foi utilizado como referência de status. Atualmente é utilizado para manutenção do vício mortal da droga do século, o crac. Podemos afirmar que hoje o corrimboque e o cachimbo, em relação ao tabaco, caíram em desuso, com a predominância do cigarro. O vício continua, a forma de uso da droga é que mudou.
terça-feira, 7 de abril de 2015
CATÓLICO OU DEVOTO ?
Estamos inseridos numa sociedade que, em matéria de religião, está caminhando para o indiferentismo. Ocorre um individualismo pernicioso que faz com que as pessoas tenham dificuldade em se definir e por isso as suas vidas não têm a marca da sua identidade, principalmente a relacionada com a religião que dizem professar. O comportamento social não corresponde à realidade vivida por quem pratica uma religião. A integridade moral dita ou declarada não é justificada com a pratica de vida. Um termômetro dessa constatação é o percentual de pessoas declaradas católicas e a frequência dos fieis nas paróquias. Acredito que se fosse dobrado o número de paróquias, o atendimento ao povo seria mais efetivo. Paróquias com territórios extensos dificultam a atuação dos seus administradores. Ser católico não é fácil; e não é mesmo. Dizer-se católico e não participar de nenhuma das pastorais da paróquia em que vive e não viver os ensinamentos da igreja é pura negação , ou seja, é pura desautorização daquilo que se afirma professar. Certa vez uma pessoa me fez a seguinte pergunta: Você é católico ou devoto? Na ocasião achei a pergunta um tanto sem sentido. Entretanto, ao meditá-la de forma mais sossegada, cheguei à conclusão de que a pergunta é justificável. O que ocorre é que entre nós católicos praticantes e declarados há praticas individualistas arraigadas e tidas como tradicionais que são assumidas em detrimento do verdadeiro espírito religioso das pessoas. Aí é que a pergunta que me foi feita, citada anteriormente, tem sentido. Católico é aquela pessoa que vive os ensinamentos da igreja e que participa direta ou indiretamente dos movimentos e pastorais existentes na paróquia em que vive. Pessoas cujo modo de vida corresponde à vivência religiosa. Do contrario, são os devotos caracterizados na segunda parte da pergunta. Entre nós temos os católicos que só acertam com a porta da igreja quando vão a casamentos, batizados, missas de sétimo dia, festas dos seus santos preferidos e tantas outras praticas. Isso e ruim? Não. Só que essas pessoas imaginam uma religião ao seu modo e, praticar religião é muito mais do que essas atitudes. Ser católico é viver os mandamentos, reduzidos a dois pelo próprio Jesus: Amar a Deus e ao próximo como a si mesmo. E isso é concretizado na prática religiosa e no viver de cada dia. O católico deve ser exemplo na comunidade em que vive. E, com o seu exemplo, atrair outras pessoas para a prática religiosa, pois o exemplo arrasta enquanto que a palavra voa. Se assim não for, afirmar-se católico não vale.
Feliz páscoa 2015
Feliz páscoa 2015
domingo, 15 de março de 2015
A SAGA DO HIDROGINASTIQUEIRO
LOA PARA A PROFESSORA KARLA ANDREA
(Homenagem da turma de hidroginástica das 6:00 h da
"Golfinhos Fitness" no dia 09 de março de 2015)
Logo depois da alvorada,
Exercito-me na piscina,
Uma turma irmanada,
Hidroginástica ensina.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Começa a nossa batalha,
Pela catraca passamos,
Guardamos nossas tralhas,
Onde nos despojamos.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Turma educada, alegre, galante,
Cumpre ordens recebidas,
Que nos perdoem os falantes,
São pessoas desinibidas.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Nossas toucas colocadas,
Haja calvície e cabelos,
Depois da chuveirada,
Sem barulho e atropelos.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida,
Nossa mestra já presente,
Vai logo gritando forte,
Bom-dia minha gente,
Saúde é o nosso norte.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
O vai e vem já começa,
Função aeróbica ativada,
Tudo mesmo sem pressa,
Apesar de cronometrada.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Gente de todo tamanho,
Na piscina bem lotada,
Decididos a tomar banho,
Não parecem interessadas.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
A turma do alô meu bem,
Vai logo se agrupando,
Todo bate papo convém,
Notícias vão checando.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Alguns seguram alteres,
Outros agarram pranchas,
A maioria são mulheres,
Homens já deslancham.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
É hora do macarrão,
Entre as pernas colocar,
Nas costas agora não,
Vamos todos pedalar.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
A professora animada,
De cada um sabe o nome,
Com música bem ritmada,
Ela dança, canta e come.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Sobraram jump e bola,
Sempre desaparecidos,
As coisas se desenrolam,
Não são muito queridos.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Professora entusiasmada,
Em dado momento gritou,
Toda turma já cansada,
Parou! Paroou! Paroooou!
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Alongamento hora esperada,
Todas perninhas na borda,
Chamamento e ordem dada,
Muitos agora acordam.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Hora da despedida chegou,
Falou Karla a professora,
Nossa aula enfim terminou,
Até a sessão vindoura.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Sem métrica dessa maneira,
Desculpem-me os letristas,
Na vida fazemos besteiras,
Cada um tem sua lista.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Trata-se de contribuição,
Para eventos da galera,
Para mim grande lição,
Que de todos se espera.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Obrigado pela audiência,
Agora escute e anote,
Agradeço a paciência,
Pois ouvido não é bispote.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Desculpem-me os ofendidos,
Por tudo que tenho falado,
Por tudo que foi dito,
Espero não ser malhado.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Hoje aniversariante temos,
Da nossa professora dirão,
Karla, seu nome sabemos,
Primaveras, quantas serão?
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Abençoada seja por Deus,
É tudo que lhe desejamos,
Amor nosso e dos seus,
Com você partilhamos.
Calor humano refeito;
Piscina bem aquecida.
Estamos felizes e radiantes,
Um prêmio pra nossas almas,
Parabéns pra aniversariante,
Vamos todos bater palmas.
Autor: Antonio Costa
08 de março de 2015
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
ESMOLER QUARESMAL
Estamos no início da quaresma, uma quarta feira de cinzas, tempo que corresponde aos quarenta dias que Jesus ficou no deserto, antes da sua entrada triunfal em Jerusalém, para nós , o domingo de ramos. Neste tempo a Igreja recomenda a prática do jejum e da esmola. No que se relaciona ao jejum, apenas em dois dias a prescrição é feita; na quarta-feira de cinzas e na sexta-feira santa. Jejuar consiste na redução da quantidade de alimentos das refeições e na prática da oração. Jejum sem oração não é penitência, é dieta. A prática do jejum acompanhada da oração está definida no capítulo 6º do Evangelho de São Mateus proclamado na missa da quarta-feira de cinzas. Quanto à esmola, no mesmo evangelho está escrito: ... que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita, de modo que a tua esmola fique oculta.. . O mérito da esmola não está no valor daquilo que se dá, mas no propósito com que é praticada e na relevância do que se dá. Sejamos , portanto, bons esmoleres. Aqui cabe um comentário adicional sobre o verbete esmoler; esmoler é quem distribui ou dá esmola e não quem pede ou recebe.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2015
A ÚLTIMA PASSEATA
O ser humano, diferentemente dos outros animais, desde o seu nascimento, e como sujeito inteligente, se depara com frequência com confrontações e contradições. Já no seu nascimento protesta com o choro contra o fato de sair de um ambiente confortável, o ventre de sua mãe, para um ambiente totalmente hostil ao qual deve se adaptar ao longo do tempo. Indiferente ao seu protesto, seu pai, acompanhado dos familiares e amigos acorrem à maternidade para vê-lo, acontecendo então a primeira passeata de sua vida em que é o protagonista. Até os doze anos, em plena formação, passeatas, protestos e reivindicações, são protagonistas desses eventos, em seu nome, os seus pais. Na fase seguinte da vida, a adolescência, começa a se interessar pelas ideias e movimentos que a sociedade se lhes apresenta e então decide participar de assembleias e passeatas; no inicio mais por curiosidade do que por razoes justificáveis. Durante o viver, então, dependendo do seu interesse pelos apelos que surgirem, vai participar ou não de passeatas. Estes apelos apresentam-se em forma de protestos e/ou reivindicações justificadas por razões diversas, como anseios da sociedade ou contra desmandos e negligência do poder público, principalmente no que diz respeito à educação, saúde e segurança do cidadão. Essas muitas passeatas da vida fazem parte da inquietude e insatisfação do ser humano face aos problemas decorrentes de uma sociedade insatisfeita com a sua própria degradação. Há também outra espécie de passeatas que em muitos casos acontecem fora do contexto da vida humana. São aquelas passeatas que acontecem dentro dos nossos cemitérios, anunciadas e reportadas por todas as mídias existentes. Fisicamente somos criaturas finitas sem apelação. O fim natural das nossas vidas é a maior das certezas que temos. Na última passeata, aquela da qual ninguém escapa, não há protesto; o protagonista é levado até o seu destino final, num silêncio quebrado apenas pelos cantos e preces dos seus participantes. Cumpre-se então aquilo que lhe foi dito por ocasião da imposição das cinzas em sua cabeça no início da quaresma: lembra-te homem que és pó e que para o pó retornarás. Uma certeza inquestionável.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
CARNEIRO E MAUSOLÉU
A nossa língua portuguesa muitas vezes nos surpreende com palavras desconhecidas do grande público. Em geral são vocábulos eruditos ou, às vezes, de difícil aceitação por ignorância vocabular. Nós preferimos, para designar pessoas idosas, chamá-las de velho, e não de longevo, não obstante utilizarmos com facilidade o vocábulo longevidade. Outro exemplo é o uso do verbete “ bastante” com o significado de muito. Exemplos não faltam.
Quando você se refere a sepultamentos fala sempre em gaveta, para significar sepultura, não é verdade? Só que você não sabe que o nome correto daquela gaveta é “carneiro”, isso mesmo, carneiro. Aí você vai dizer: Caraca! Sempre soube que a palavra carneiro significava o animalzinho da família do gado lanígero. Pois é! Numa língua onde “pois não” significa sim, vez por outra vamos ter surpresas. Este é outro exemplo do não uso da palavra correta em determinadas situações. Seria muito estranho ouvir alguém dizer: Fulano de tal foi sepultado num carneiro, no cemitério tal. A fluência vocabular adquire-se com a leitura, qualquer leitura, não importa o gênero daquilo que se lê. Ah! E o mausoléu? Este é uma sepultura suntuosa, nada mais do que isso. É o inverso da cova rasa. O apelo então é; adquira o hábito de ler e assim adquirirá uma fluência vocabular tão necessária no nosso convívio social.
a
A CRUZ DOS DISCÍPULOS
Nós humanos somos limitados e, por isso mesmo, nem sempre somos coerentes em nossas atitudes. Muitas vezes o nosso comportamento não corresponde aos princípios que afirmamos viver. Necessitamos refletir sobre o que acreditamos e confrontar com as obras que realizamos. A constatação ou confrontação com a realidade vivida será o termômetro que nos indicará o rumo a tomar. Analisemos o comportamento dos discípulos de Jesus diante da realidade da cruz. No local onde Judas entregou Jesus aos soldados, com aquele desditoso beijo, Pedro tem uma atitude impensada e intempestiva ao cortar a orelha do soldado Malco com um golpe de espada e é repreendido por Jesus. Esse mesmo Pedro, que é a nossa cara, e que anteriormente havia reafirmado solenemente três vezes o seu amor por Jesus, pouco tempo depois, o negará também por três vezes durante o julgamento do Mestre. Este foi o comportamento daquele a quem Jesus confiou a sua Igreja. A partir daí assumiu a atitude dos outros discípulos, fugindo daquela situação embaraçosa para eles. No contexto político em que os fatos aconteciam o prudente para eles era mesmo se esconderem e aguardarem o desdobramento de tudo o que viveram naqueles dias, acreditando nas promessas de Jesus de que ressuscitaria dos mortos. Não marcaram presença aos pés da cruz. Faltou firmeza em suas convicções e a coragem necessária que o momento exigia. Dos doze, dez preferiram esconder-se; um foi o traidor e João (o evangelista) foi o único que esteve presente no calvário, acompanhando Maria a mãe de Jesus. Referimo-nos aos discípulos de Jesus e sua mãe Maria. Com certeza muitos dos seguidores do Mestre estiveram presentes ao sacrifício de Cristo. E o detalhe de suma importância para nós ali no Calvário foi quando Jesus, antes de dar o último suspiro, dirigiu-se à sua mãe e ao discípulo João pronunciando aquelas belíssimas palavras: Mãe, eis aí o teu filho; filho eis aí tua mãe. Assim como Maria e João estiveram firmes e presentes ao pé da cruz, sejamos nós também seus fiés imitadores na prática da nossa relação com Deus, não fugindo assim dos nossos compromissos de fé. Portanto, com Deus no coração e a intercessão de sua santíssima mãe, sejamos fiéis aprendizes dos ensinamentos de Jesus.
sexta-feira, 9 de janeiro de 2015
CINZAS
A criatura humana nasceu do pó, pois, segundo o livro do Gênesis, capítulo 2, versículo 7, “O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, ...”. Isto significa que viemos do pó. E, como todos sabemos, voltaremos ao pó quando da decomposição do nosso corpo após a morte. Está aí definida a nossa transição sobre a terra. Não importa a condição social, a raça, seja lá o que for, todos terminaremos iguais. Nascemos em diferentes berços, mas terminamos a vida na igualdade. Na igreja católica, na chamada quarta-feira de cinzas, os fiéis participam da Eucaristia e, em dado momento é feita a imposição das cinzas em suas frontes ou cabeças. Isto tem um simbolismo marcante, ou seja, visa lembrar ao fiel a sua origem e o seu destino na terra. Antes do Concílio Vaticano II, na imposição das cinzas o sacerdote pronunciava as seguintes frases; ”Lembra-te homem que és pó, e para o pó retornarás.” Atualmente, a fórmula é a seguinte: “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Pessoalmente, prefiro a primeira, que sendo realista, traz em si, mais forte, o mesmo sentido de conversão. A reflexão que fica é a de que, o nosso orgulho, arrogância, preconceitos, discriminações, acumulação de bens, são deméritos do nosso viver. Seremos julgados pelo bem que não praticamos. Sobre bens acumulados ouvi, certa vez, durante uma homilia, a seguinte bem humorada pergunta: Você já viu alguma vez, carro de funerária com reboque de mudança? Eis a conclusão; no túmulo ou no crematório o que somos mesmo é cinza.
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